domingo, 3 de agosto de 2008

Mais esta noite

Já é madrugada
Penso em você
E as palavras para uma nova poesia
Vem numa torrente, como uma grande cascata

Olho para o espaço na minha cama
E imagino que podíamos estar juntos
Podia te ter em meus braços por mais tempo
Sentir teu coração pulsando e o cheiro do teu perfume

Sinto falta dos teus lábios
Tirando as palavras da minha boca
Sinto falta do teu corpo
Contra o meu, dançando e dançando

Sinto que meus desejos
Se tornaram uma faca de dois gumes
Desejava alguém que de algum modo
Fizesse-me pensar menos, e agir mais instintivamente

Agora eu encontrei
E mal consigo escrever este poema
Tantos sentimentos, que não consigo organizá-los
Como a noite, que não pode ser parada

Mais esta noite
Dance comigo, dance querida
Ao passo do pulsar dos nossos corações
Deixemos suas batidas darem nossa musica

Agora com você em meus braços
Entrelaço nossos dedos
E com desejo murmuro ao pé do teu ouvido
“Aceita ser minha, amor meu?”

E se gosto de você cada vez mais?

Você fala que sou um bom ouvinte
Mas eu sei que falo de mais para o ser
E tenho certo receio
Que você se canse
Mas fazer o que... Adoro a magia das palavras

Estou fazendo esse poema
Mas só o que queria
Era contigo estar
Falando ele em seu ouvido
Ao passo de cada elogio

Sabe porque?
Pelo simples fato de que isso é tudo que eu acho
E também
Porque, segundo você própria, sou um sedutorzinho
E adoro lhe ver sem jeito, sem saber exatamente o que fazer

Meus poemas são longos
Sou sempre tão romântico e cavalheiro
Cansei de ter tudo sobre tão pleno controle
E você me faz perder um pouco a ação, faz tudo mais natural
Um dos motivos para gostar tanto de você

Se falo ou não te amo
Não me importo
Afinal isso seria só uma palavra
Por isso prefiro em vez de ficar falando
Ficar medindo teu silencio, tuas palavras e teus olhos

Você tem a mania de achar que me incomoda
Só porque fico em silencio perto de você
Mas você é justamente
Uma das pessoas que mais gosto ter perto de mim
Adoro te ter ao alcance das minhas mãos

Mas odeio ter que me despedir
Odeio ter que dizer
”Au revoir”, “Tchau”, “Até mais”
Por isso deixarei esse poema, que nem é tão poético
Sem um fim exato.

Lúcifer


Seu nome blasfema a vida
O anjo caído

Fui o anjo mais brilhante
Subi ao mais alto patamar
Enfrentei as hostes sagradas
Corrompi os anjos.
E fui condenado por ser realista.

Provei com o meu supremo orgulho
Que o Altíssimo
Não passava de um mero e mesquinho demônio
Meu “erro”
Seu erro

A voz dele amaldiçoa os sete ventos
E fazem brisa tornar-se tempestade

Estive lá
Quando a humanidade cedeu
Aos meus propósitos
Antes mesmo de conhecer o bem e o mau
Eu sou a face da tentação

Estive lá
E corrompi Sodoma e Gomorra
Provoquei o pecado até mesmo Nele
Fiz a ira Dele
Destruir sua própria criação

Ele conhece cada palmo do que está oculto
Cada desejo, cada medo, cada fraqueza

“Meu nome é legião
Porque nós somos muitos”
Estou em cada canto desse mundo
Dentro de cada um há minha semente
A humanidade me conhece muito bem

Sou eu o flagelo da humanidade
Aquele que pelo vento carrega as pestes
Pelo mar afoga os marinheiros e engole os barcos
Pela terra devora os templos Dele
E pelas chamas castigo as almas humanas

Ele é o imperador maligno
Que só o império pode parar

O nome Dele não deve ser evocado
Em vão
O meu quando é declarado
Faz os reinos afundarem
Em caos e desespero

Minhas palavras carregam razão
Eu conheço cada uma de tuas franquezas
Cada um de teus medos e desejos
Você teme escutar minha voz ao pé de seu ouvido
Eu sou a proposta irrecusável

Ele é o portador da luz
É o senhor das chamas da destruição

A humanidade me teme
Mas me aceitou
Ela me conhece muito bem por sinal
Ela poderia fazer o que Ele não fez
Mas será que ela realmente está preparada pra isso?

Sussurros na noite

Na penumbra dança uma pena
Escrevendo a negro sangue
Sussurros sobre as alvas paginas

Um homem de mil faces
Varias bocas para beijar a noite
Olhos que vêem varias estórias
Para cada musa um herói
Poeta das sombras...

Meus olhos vêem as lamurias de seu sorriso
Meus olhos vêem o homem sem reflexo
Meus olhos vêem a bela musa que se esconde atrás de uma máscara
Muitos olhos
Assim como a noite

A penumbra dança com ele
O violino sem cordas toca
Feliz mergulhou em sua loucura

Preso a corrente
De por enigmas e metáforas falar
Sobre mim, de maneira simples me expressar
Não é permitido
Poeta das sobras...

Senhor das frases já citadas
Fui preso pela minha mais querida musa
As palavras limitam a boca
Enquanto estiver falando não poderá beijar
Mas ainda me resta a noite para me acabar

Escutando as razões dos loucos
Sem uma face clara
Ele é assim... Poeta das sombras

Mea Culpa?

Lá no fundo
Tenho medo que a lua não volte a aparecer
Caso algo realmente lhe acontecer

Sinto que de algum modo
Tornei-me responsável
Por tuas lagrimas caso elas caíssem
E pelos teus sorrisos caso os desse

Às vezes sinto-me tentado
A fazer promessas que sinto que não impossíveis
Que farei tudo valer a pena
Só queria poder falar isso
Sem medo de falhar...

Por você esqueço algumas promessas
Promessas não impossíveis
Mas que fiz a mim mesmo

Sem você pedir
Por você feri o que mais amo
Meu orgulho
Porque lhe amo, mas lhe odeio... Ao mesmo tempo

Senti coisas que não me permitia
Duvidei de mim mesmo
Em relação a isso eu me perco
Não sei se devo lhe odiar
Admirar ou amar...

Porque você tinha que fazer isso comigo?
Porque você tinha de me amaldiçoar/abençoar desse modo?
Você me livrou das minhas sinas, me fez um humano fraco.
Blasfemo teu nome por ter feito isso, eu te odeio.
Mas tudo isso porque
Do fundo do meu coração eu te amo