terça-feira, 17 de junho de 2008

Fantasmas

Você
Alguém que não consigo
Esquecer
Ou talvez não queira
Esquecer

É a tua silhueta
Que vejo dançar no meu copo
É teu o sorriso
Que em pensamento
Assombra-me

É o brilho
Dos teus olhos
Que vejo nas estrelas
É a tua voz que às vezes
Procuro chamando meu nome

É o teu perfume
Que sinto na gola da minha capa
É o teu nome
Que grito desesperado
Nas noites de solidão

São para você
Os poemas que faço
Usando essa folha amarela e essa pena
São para você
As musicas que compus

Queria ter forças
Para me livrar de tudo isso
Mas as lembranças
São bem mais vivas
Que qualquer coisa em mim

Queria olhar pela sacada do meu quarto
E te ver novamente
Colhendo as rosas do meu jardim
Aquelas, que agora, cuido com tanto carinho
Pois o perfume delas me lembra o teu

Tudo que queria
Era escutar teus passos
Era escutar as tábuas
Dessa velha casa
Rangendo com teu doce pisar

Tudo parece tão triste agora
As rosas que antes eram vermelhas
Agora me parecem cinza
Como se tudo tivesse perdido a graça
Perdido a beleza...

Pelas noites adentro
Sigo me embriagando
E gritando seu nome
Pedindo a Deus que você
Retorne

A brisa toca delicadamente meu rosto
Acho que é a sua respiração
Mas você não está comigo,
Lagrimas escorrem por minha face
E caio ajoelhado

A gola do casaco esconde minhas lagrimas
Sinto seu perfume
No líquido verde que está dentro da garrafa
Vejo-te dançando
Repetidas vezes grito teu nome

Ajoelhado ali, olho para os céus e vejo as estrelas
O brilho do seu olhar
Uma pétala de rosa vermelha cai a minha frente
Pego-a e nela sinto
A delicadeza do teu toque

Mas teus passos
Tua voz chamando meu nome
Eu nunca mais escutarei
São só lembranças
Que assombram minha mente

São só fantasmas...

Se foi

Mesmo que para o céu fosse
Por você, minha loucura
Para o céu não iria
E num inferno nunca antes tocado cairia

Céu sei que não mereço
Nunca mereci
Mas um dia senti tocá-lo
E foi quando dançamos, envoltos num inferno

Só sei que nada saberei ou sei
A razão se foi, a certeza se foi
O amor se foi, você se foi

Ficaram as lembranças das palavras que não escutava
Só olhava, pois mesmo que teus olhos me chamassem
Não podia parar de teus lábios olhar

Meu mundo (Melancolia)

As trevas penetram meus olhos
Sinto o fim correr por minhas veias
A cada passo sinto a presença Dela
Caminho pesarosamente em meio à névoa
A neblina deixa tudo cinza

Sem cores, sem alegria
Não posso chamar isso de vida
Mas também não posso chamar de morte
A areia do tempo cai sobre meus olhos
Escuto as badaladas da eternidade

Ainda se me fosse permitido gritar ou chorar
Mas o grito está preso em minha garganta
Afogo-me em angústia
As lagrimas secaram por causa da areia do tempo
Afundo num mar de melancolia

Sem vida
Sem direito a morte
Na eternidade vago
Em meio às sombras
Em meio à neblina

Sento em meu trono de tristeza e agonia
Em coro as sombras cantam o meu réquiem
O réquiem da melancolia
O réquiem da eternidade
A mais bela e terrível canção da minha existência

A lamúria dos gritos de dor
Açoitam minha alma
Os meus gritos...
Os gritos que estão presos em minha alma
O silêncio é tudo que existe aqui

Afogo-me nas minhas próprias lagrimas
Aquelas que não podem escorrer por minha pálida face
Aquelas que secaram com o passar do tempo
Estou preso a uma eterna prisão de dor
A esperança já se foi, para mim só resta a melancolia

Caminho pesarosamente para longe
Em meio à neblina e trevas
Um canto fúnebre segue meus passos
Pela eternidade vagarei
Sem rumo e sem futuro

Como uma irmã

Quantas vezes já disse que te amo
Como um irmão ama uma irmã?
Até mesmo eu que tenho uma memória tão boa
Já perdi a conta

Sabe o que me mantém aqui...
É a mesma coisa que torna minha vida tão amarga
Isso você já sabe
O que você não sabe é que você é uma das poucas coisas
Que torna ela menos amarga

Às vezes tenho medo
Que minha frieza ou meu orgulho
Machuquem-te
Ou que você se sinta insegura
Por sentir que não me conhece

Às vezes penso
Que se fossemos realmente irmãos
Não seriamos tão unidos
Ou
O que seria da gente se não nos conhecêssemos

Realmente não minto
Quando digo que para mim você é como uma irmã
Pois sei que você estará ao meu lado
Caso eu precise de alguém que me ajude
Mesmo que eu nunca me permita ser ajudado

Você é realmente minha irmãzinha querida
Aquela que vai sentar ao meu lado
Mesmo que eu diga com os olhos, que quero ficar sozinho
Aquela que vai perguntar se esta tudo bem
Mesmo que eu consiga esconder toda minha tristeza, com meu orgulho

Você é realmente como uma irmã para mim
Mesmo que meus abraços não sejam carinhosos
Mesmo que meus toques sejam carregados de frieza
Mesmo que esteja vivo por causa do meu orgulho
Saiba que você é uma das coisas mais importantes para mim

Você é como uma irmãzinha querida para mim
Aquela que sempre vou defender e ajudar
Sem querer nada em troca
Aquela que coloco a cabeça no colo e me faz cafuné
Quando estou cansado

Para mim
Você é como minha irmãzinha querida

Reflexos

Em cada intervalo
Das minhas palavras
Há incontáveis suspiros
Quando não é você que deixa de me entender
Sou eu que não consigo te compreender

“Minha” Rainha você fala que
Eu nunca saberei o suficiente para te vencer
Mas quem disse que quero te vencer?
Se eu te vencesse tudo perderia a graça
E partiria em outra caça...

Você fala de amor...
Eu chamo isso de Dança da vida e da morte
Onde os corpos são mais quentes que o pior dos infernos
Onde parece que a vida se esvairá no próximo suspiro
Dançando e dançando incessantemente

Desatar nós?
Quem disse que almejava isso?
E também...
Quem vos garante que estarei lá quando quiser me deixar?
Quem vos garante que conseguirá me deixar?

Cada detalhe de paradoxo
Cada detalhe de duvida
Cada lasciva nuance
Torna tudo mais interessante
Torna tudo mais digno de nós

Sonho, pesadelo, realidade, tudo muito relativo
Não é nos pesadelos que existe
Aquela sensação de querer correr e não poder?
Talvez a sensação que você tenha
Para você talvez isso seja um pesadelo, mas quem garante?

Você nunca vai poder se afastar de mim o suficiente
Eu nunca poderei saber mais sobre você
Nem eu
Nem você
Poderemos vencer um ao outro

Esteja no meu sonho
Estarei em sua mente
Agora... Escute a musica das crianças da noite
O uivar dos meus servos, a musica dos meus mensageiros
Você me daria à honra de mais essa dança “minha” rainha?