sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Bestial

O relógio gemeu a décima - segunda badalada
Seu som desperta
Aquele que devia permanecer em eterna letargia
O deus bestial

Escute a musica de todos os corações
Escute o sangue deles pulsando
Escute seus gritos percorrendo a noite

O homem dilacera seu corpo
Tentando afastar aquele que está adormecido dentro dele
O grito daquele que é derrotado se transforma
No uivo daquele que vence

Páginas manchadas de sangue
Falam por mim
A morte baila à minha volta

Na minha caçada
Maculo com sangue as páginas do livro das eras
Cachoeiras rubras
Escorrem pelas minhas presas

Destruição, caos, chamas, sangue.
Dançam com a minha insana melodia
Meus olhos acendem em chamas
Ao mirar teus olhos, teu corpo, minha presa

Nem a oração
Nem as balas
Podem parar aquele
Que vem das trevas

O senhor de todos os desejos
Lhe darei o que quiser
Mas antes me de o que quero

Dance comigo
Baile até tudo queimar
Cante comigo a minha insana melodia
Me ajude a completar essa sina

Muito delicadamente enquanto dançamos
Minhas presas se enterram no teu pescoço
Torno-te minha
Transformo-te em um filho da noite assim como eu

O grito partiu a noite
O raio iluminou o massacre
As terras estão banhadas em sangue
Rubras rosas brotam por onde ele passou

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Culpa


Os corvos estão vindo
Eles estão pairando sobre a minha cabeça
Não é? Sim... Eu sei que eles chegaram para se banquetear
Então é essa a minha pena?

Vamos... Olhe
Olhe para a sua verdadeira culpa
E tente não enlouquecer
Você é capaz disso?
Você é capaz de superar isso?

Eles vieram para me assombrar
Eles estão bailando a minha volta
Você não os vê... Mas eles estão aqui!
Zombando da minha dor

Ela está me estendendo sua mão
Seus olhos insaciáveis findam meus olhos
Prometendo que não haverá mais dor
A proposta maldita... a proposta irrecusável
Grito tentando afasta-la

Os holofotes estão apontados para mim
Não há mais noite
Não há mais sono
Apenas um eterno e maldito dia

O senhor do seu destino
O senhor de suas escolhas
O deus maldito
Eu poderia renegar tudo agora
Mas é possível alguém renegar a si mesmo?

Se afaste de mim!
Eu não me renderei a você!
Você não terá o que quer!
Você não irá devorar minha mente!

É essa minha pena
Conviver com a dor
Ter a “salvação”
Mas não poder aceita-la
Viver um eterno dia de julgamento

Eu vou batalhar
Pela eternidade
Com esta estaca envenenada encravada no meu peito
A estaca da verdadeira culpa

Busco-te

A noite se abre a minha frente
Como sempre foi e sempre será
A chuva escorre pela minha roupa
E o frio corta minha face
A tristeza do ambiente se mescla à tristeza da minha alma

Estou ficando louco...
Eu tenho motivos...
Sei que estou morrendo aos poucos
Até onde eu agüentarei?
Será que ainda me restarão energias para se quer...

Falar teu nome contemplando teus olhos
Tomar-te em meus braços
Tocar teu rosto murmurando palavras de afeto
Buscar tua boca enquanto continuo a murmurá-las
E colocar cada uma delas em tua boca...

Você é o motivo pelo qual viveria, mas estou morrendo...
O orgulho e os sentimentos que nutro
São o que me fazem continuar
Mas até onde minha mente suportará?
Tenho medo de encontrar meus limites... Logo agora

Estou buscando o brilho do teu olhar
Em outros lascivos olhares
Estou buscando tua voz
No som de outras
Que murmuram sedutoras propostas

Estou buscando teus cabelos
Na loucura da minha mente
Estou buscando tuas palavras
Nos mais lascivos poemas
Estou buscando você...

Você está tão longe...
Busco você nas sombras...
Mas não encontro
Nem encontrarei
Você se tornou o fantasma que assombra minha existência

Você está tão longe...
Busco você em luzes vacilantes
Mas não encontro
Meus olhos marejam, esmurro a parede...
Você se tornou o anjo que ainda da algum sabor doce a minha amargura

Busco-te nas minhas próprias trevas
Em meu coração que mantenho oculto
Você estará lá... Ainda me resta algum consolo
Você é o reflexo dos meus mais doces sonhos
Agora me resta um pedido...

Você é aquilo que busquei por eras...
Busco-te em meus sonhos...
Sua imagem está lá
Me atormentando e me saciando...
Mas por favor... Saia dos meus sonhos e venha para mim

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Como um


Engraçado contemplar outra pessoa
Como se você se enxergasse em um espelho
Engraçado saber que existe alguém
Que se mescla com você
Chegando a confundir as duas imagens.

Escuto seus pensamentos juntos com os meus
Como se nossas mentes fossem na verdade uma

Sempre tão orgulhosos
Sempre tão distantes de todos
Agora se comportando de maneira íntima
Mostrando um para o outro
O íntimo que só mostramos para nós mesmos

Dentre tantos pesadelos que nos cercam
Vemos um ao outro dançando como um sonho perdido

Vimos um sonho um no outro
Não tínhamos fé de poder realizá-lo
Afinal sonhos não se tornam realidade
São só sonhos e não passam disso
Mas nós estamos lutando

Enquanto um continuar lutando
O outro estará ao seu lado, fazendo o mesmo, como um

Estamos vencendo
Tudo aquilo que se coloca contra nós
A desilusão, a amargura, a distância
E não pararemos até realmente
Estarmos juntos

Quando as luzes, a música, quando todos os outros se forem
Nós continuaremos um com o outro, juntos

Será esse o fim da nossa batalha, do nosso sofrimento?
Quando Nossa Dança tiver acabado
Quando você estiver em meus braços
Com a cabeça em meu peito
Quando finalmente sejamos um

Ai então, seremos um e nossa única melodia
Será o riso, o gemido, e o pensamento um do outro

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Deturpado...

Porque eu tenho que ver
Teu rosto na penumbra?
A cada noite, a cada passo
Sempre que as luzes se apagam
Lá estará teu rosto, em cada moldura.

Vejo-te tão distante...
Envolta por neblina
Como um fantasma
Mas afinal... Sempre estivemos distantes não é?
Envoltos em neblina, envoltos em mentira.

É duro ver o quanto coloquei a perder
Logo eu, que sempre fiz tudo de forma tão minuciosa.
Um erro e tanto... queimando
Eu acreditei que as chamas seriam como eu...
Que não pudessem lhe tocar, mas eu estava errado.

Só enxergo um império de caos e chamas
Não há mais razão
Apenas sombras dançando e gritando de maneira confusa
Nem mentira, nem verdade
Apenas deturpação.

Queria-te para mim
Mas você continuará sendo um fantasma
Mesmo sendo um fantasma estará se distanciando cada vez mais
Mesmo sendo um fantasma a única coisa que queria era você
...Tão deturpado...

Desde o início
Sempre tão deturpado
As palavras não jogam mais juntas
Essa confissão e minha mente... Iguais
Vejo apenas caos

Você sempre esteve comigo
Sempre que te buscasse com os olhos... Você estaria ali
Agora fujo do teu rosto
Um anjo?
Ou um fantasma?

Sabemos os dois
Que você lerá esse poema
E saberá que é para você
E se ainda valer alguma coisa... Meu sussurro em meio a tanto caos
Tudo que desejo, tudo que quero se resumi ao teu nome.